Secções Temáticas

As secções temáticas (ST) são uma parte essencial da atividade da EcPol, reunindo membros com interesses temáticos comuns em torno de áreas identificadas como prioritárias pelo corpo associativo da EcPol. As ST promovem iniciativas variadas, encontros e debates académicos dentro da sua esfera de atuação e têm um papel fundamental na preparação e desenvolvimento do plano de atividades da EcPol, com destaque para o Encontro Anual.

Filosofia e História da Economia Política

 

Coordenadores:

Vítor Neves - vneves@fe.uc.pt

João Maia - joamaia@hotmail.com

Esta secção temática tem em vista contribuir para o necessário alargamento epistemológico, teórico, metodológico e disciplinar das análises de economia política. Procura fazê-lo aprofundando o debate sobre os méritos e a melhor forma de pôr em prática abordagens inter e transdisciplinares no estudo dos fenómenos económicos. Para tal, recorre às contribuições da filosofia das ciências sociais e da história da economia política. Neste sentido, a secção promove análises críticas dos pressupostos, teorias e métodos mobilizados na análise dos fenómenos económicos e dá particular atenção à discussão dos fundamentos ontológicos na construção teórica, bem como de conceitos centrais de economia política como racionalidade, mercado, instituição e valores.

Os objetivos desta secção temática são: i) Contribuir para uma investigação reflexiva em economia política; ii) Aprofundar o conhecimento de autores canónicos nos estudos de economia política; iii) Promover o conhecimento da evolução histórica na sua especificidade e complexidade sistémica; iv) Promover a reflexão sobre a interdisciplinaridade no domínio da economia política; v) Promover comportamentos socialmente responsáveis e éticos dos cientistas sociais.

Espera-se que as atividades a desenvolver no quadro desta secção temática resultem dos interesses e da iniciativa dos membros da EcPol.

No futuro imediato, para lá da dinamização de um painel temático sobre inter/transdisciplinaridade no 5º Encontro Anual de Economia Política, prevê-se dar continuidade ao ciclo de conferências-debate sobre o trabalho de grandes vultos internacionais da história da economia política.

 

Economia Política do Território

Coordenadores:

Pedro Marques - p.marques@ingenio.upv.es

Paulo Miguel Madeira - paulo.madeira@ics.ulisboa.pt

O território – conceptualizado além da simples jurisdição espacial do Estado – não é uma mera definição geográfica e geopolítica; quando conceptualizado a partir das práticas de produção e reprodução do espaço e das relações que se estabelecem neste, torna-se numa referência fundamental da organização da sociedade e do Estado, assim como da ação coletiva e das políticas públicas. A economia política do território confere atenção ao papel estrutural da produção do território e à forma como este está presente na articulação entre instituições e atores e na formação dos quadros políticos existentes, incluindo a relação com instituições externas relevantes para o desenvolvimento. Numa perspetiva multi-escalar e multinível, a economia política do território considera a geometria variável das relações entre pequenos lugares, cidades, macrorregiões, estado-nação e relações internacionais, com atenção a como diferentes arquiteturas institucionais afetam diferentes espaços, grupos sociais, atores, instituições e políticas públicas. Nesta secção temática, para além de se teorizar a relevância do território enquanto assunto de economia política, considera-se também a peculiaridade do contexto português, isto é, dos seus problemas territoriais, bem como das profundas dissimetrias (centros/periferias; urbano/rural; litoral/interior…) e da sua relevância para os processos políticos e deliberações sobre a sociedade nacional.

Economia Política das Políticas Públicas

 

Coordenador:

João Paiva Silva – luis.paiva@iscte-iul.pt

A ação do Estado é um dos elementos centrais das sociedades contemporâneas. As políticas públicas em que esta acção se concretiza têm importantes implicações no modo de vida e bem-estar de todos os que por elas são tocados. A secção temática ‘Economia Política das Políticas Públicas’ propõe-se a promover a compreensão de como estas políticas se formam, entendendo que tal não ocorre num vácuo, mas sim num contexto de constante interacção entre agentes e estruturas, onde poderes, interesses, valores e ideias desempenham um papel fundamental.

Em termos práticos, propõe-se que, no âmbito desta secção, se fomente investigação nos domínios teóricos e empíricos, com especial enfâse no caso português, por intermédio da promoção de sessões para discussão de artigos e de projectos, potenciais e efectivos. Dado o interesse do tema para a sociedade em geral, é também proposto que se realizem sessões abertas de discussão/debate sobre importantes políticas públicas, que não envolvam somente académicos, mas também os intervenientes mais directamente ligados à formação das mesmas. Perspectiva-se que, no caso da formação de suficiente massa crítica neste domínio se verificar, a EcPol possa ter um papel institucional activo junto dos intervenientes relevantes.

Trabalho, Proteção Social e Desigualdades

Coordenadores:

Helena Lopes - helena.lopes@iscte-iul.pt

Dora Fonseca - dorajfonseca@ces.uc.pt

Esta secção temática propõe-se promover a investigação e o debate público sobre três áreas - trabalho, proteção social e desigualdades - já fortemente consolidadas no domínio das ciências sociais. Pretende-se estimular uma contribuição original através:

1. de uma abordagem pluridisciplinar (economia, sociologia, direito, ciência política),

2. que abranja simultaneamente as três áreas cuja conexão está insuficientemente explorada, 

3. de modo a disponibilizar um quadro analítico que permita não só uma melhor compreensão do mundo em que vivemos como também traçar um futuro desejável e desenhar as políticas adequadas,

4. no quadro das transições digital e ecológica.

Nas últimas décadas, o mundo do trabalho tem sido sujeito a transformações profundas que afetaram tanto as condições de emprego como a divisão do trabalho no seio das sociedades, a organização do trabalho no seio das organizações produtivas e a valorização/reconhecimento do trabalho. A consequência tem sido não só o aumento das desigualdades, como também uma tendência para a polarização económica, social e cultural, a qual, por ser insuficientemente identificada, corre o risco de ser “naturalizada”, considerada como sendo inelutável. A degradação da provisão de proteção social pública, associada à atual fase de globalização e de financeirização do capitalismo, tem reforçado estas tendências.

Ora, a transição digital potencia uma intensificação prodigiosa das transformações acima mencionadas, ameaçando exacerbar as desigualdades e a polarização social, fenómenos que já estão a comprometer o funcionamento e a permanência da democracia. É assim premente analisar e antever o impacto das tecnologias digitais no mundo do trabalho de modo a controlar e devidamente orientar a transição digital. 

Pelo seu lado, a transição ecológica fornece uma oportunidade única para transformar em profundidade o sistema de valores das sociedades contemporâneas, de modo a sair do culto do dinheiro e do consumo. Muitas atividades de trabalho, essenciais para a sustentabilidade social e ambiental, têm sido menosprezadas que importa reconhecer e dignificar. Tal como a transição digital, a transição ecológica deve ser preparada e devidamente orientada.

Economia Política Comparada

Coordenadores:

Paulo Marques - paulo_miguel_Marques@iscte-iul.pt

João Carvalho - joao.miguel.carvalho@iscte-iul.pt

A secção temática ‘Economia Política Comparada’ visa dinamizar em Portugal o debate sobre o estudo comparado do capitalismo. Neste âmbito, dá-se particular relevo às instituições nacionais que contribuem para a existência de diferentes modelos de capitalismo, nomeadamente: a legislação; o modelo de estado social; o sistema de relações laborais; o sistema de inovação; o sistema político, entre outras. A secção dinamizará a reflexão sobre os tópicos de maior controvérsia internacional neste campo, como, por exemplo, a perspetiva dos modelos de crescimento; o processo de financeirização; ou a dualização do emprego e da proteção social. A secção adota uma perspetiva pluralista em termos teóricos. O que distingue
esta de outras secções da Associação Portuguesa de Economia Política é sublinhar-se o estudo comparado do capitalismo, onde as instituições à escala nacional têm uma importância central. A Economia Política Comparada é um campo interdisciplinar, onde pontuam contribuições oriundas da Economia, da Ciência Política e da Sociologia. Desta forma, contraria a tendência de subespecialização das ciências sociais. A secção está alinhada com os objetivos da Associação Portuguesa de Economia Política, nomeadamente os que visam promover a interdisciplinaridade. Por sua vez, a importância atribuída ao papel das instituições nacionais também corresponde aos propósitos da Associação, nomeadamente aqueles que dizem respeito ao estudo da economia enquanto realidade substantiva.